À procura da startup perfeita

À procura da startup perfeita

Para quem – como eu – acredita que alguns dos melhores choques de realidade advém da ficção, a narrativa do livro (que é a edição especial de abril da Empiricus Books) é tão eletrizante quanto instrutiva.

Com uma linguagem simples o autor nos leva a uma outra realidade. Às vezes é a realidade de você que está lendo ou talvez seja a realidade que você nem imagina que existia.

Tudo começa com ricos detalhes para descrever o cenário, a vida que Pedro vivia, e o que se passava na sua cabeça.

A trama flui trazendo mais personagens e mais angústias à medida em que começam os questionamento: Que sociedade é essa que vivemos? Que modelo político escolhemos e na verdade quem será que escolheu?

O que é justo? Meritocracia e uma vida digna mas pra quem? Dá pra todo mundo ter meritocracia? E o que é mesmo ser digno?

Céticos em relação a uma escalada financeira por vias típicas, Pedro e Marques começam esta aventura asfixiados pela absoluta escassez de suas dotações iniciais. 

Por mais esforçados e inteligentes que sejam – e de fato o são – não conseguem escapar do legado econômico e social de moradores da favela. Um nascimento em déficit os impede de desenvolver suas vantagens competitivas dentro da economia de mercado.

Isso até que Pedro nota uma oportunidade única de fundar uma startup, explorando a small cap do tráfico de drogas: a maconha.

À medida que acompanhamos a jornada dos supridores Pedro e Marques rumo ao empreendedorismo bandido, vamos tendo lições práticas sobre margens de lucro, ganhos de escala, distribuição de renda, até alcançarmos a aula magna de gestão de riscos.

E o mais divertido é que aprendemos tudo isso fumando um bom baseado literário. 

Aqueles leitores conservadores podem julgar que a negociação de maconha, por sua ilegalidade, não reúne as condições minimamente nobres para manifestar em si os fundamentos sacramentados desde Adam Smith.

Mas a verdade é que as curvas de oferta e demanda se encontram e se cruzam tanto em pontos régios quanto em pontos laicos. Sua geometria é precisa justamente por ser agnóstica.

Tão agnóstica quanto a fé dos nossos anti-heróis.

Focados no retorno estratosférico da cocaína e de outras drogas pesadas, os traficantes de Porto Alegre têm dedicado pouca atenção à maconha, dada sua baixa capitalização de mercado.

A modéstia de uns é a bonança dos outros. No caso de Pedro e Marques, raspas e restos interessam demais.

O interesse vai crescendo junto aos resultados da experimentação, gerando lucros exponenciais conforme giramos as páginas escritas por José Falero – também ele um escritor nascido em déficit (foi servente de pedreiro, tinha 20 anos quando leu um livro inteiro pela primeira vez).

Nesse cenário de muitas dúvidas, fome e vontade Pedro e Marques vão juntos pensar em como sair da miséria, com um plano muito bem elaborado e sem esse bla bla bla de o empresário ganha mais porque investiu o capital inicial, Pedro coloca em prática o socialismo e faz o seu negócio girar com o lucro dividido em partes iguais.

Mas em que ponto perderam a dignidade? Foi fazendo algo que acharam que era justo?

A inversão do fluxo de caixa literário de Falero para o positivo rasga o tecido que tenta separar classes sociais.

O autor usa mesóclises no texto com a mesma naturalidade com que faz as personagens xingarem o mundo.

Acho até que Pedro e Marques gostariam de empregar uma linguagem mais polida. 

A espontaneidade do self-made man tupiniquim não deveria ofender, não deveria custar tão caro.

Vou deixar um trecho aqui pra vocês:

“Todo o mundo fica imaginando uma vida melhor, sangue bom. É o que mantém todo o mundo vivo, com vontade de viver, na real. Mas te liga só: se a gente vacilar, um dia a gente acorda com noventa ano e ainda tá só imaginando uma vida melhor, e a vida tá como sempre foi: uma porra.”

E pra mim o desfecho é: Nessa vida onde cada um tem o seu certo, o seu sonho, a sua realidade, vamos fazendo coisas que nos orgulhamos e nos arrependemos em busca de dignidade, em busca de sucesso ou até mesmo de felicidade, mas o que importa é não se perder nessa busca, porque o que a gente faz pra alcançar é a gente mesmo que vai carregar mesmo depois de chegar lá.

Portanto, se você se interessa por aprender mais sobre o empreendedorismo com uma ficção muito realista, rica de informação e uma crítica surreal à sociedade, José Farelo em “Os Supridores” é a pedida certa pra você começar.

Um livro que não aguarda para ser devorado. Uma vez inserido na história, você simplesmente não vai conseguir deixar de lado.

Trouxemos esse exemplar na edição especial de abril da Empiricus Books, nosso clube de livros. Fazendo parte hoje, você receberá o livro de Farelo em casa, além de um novo título surpresa a cada dois meses e conteúdos exclusivos para os membros.

Para se cadastrar e ver todos os detalhes, acesse aqui.

Um abraço,

Rodolfo Amstalden


Sobre o autor
Lucas Campelo
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